31/05/2009

ONE-SHOT: TEORIAS

- Aquela Haruhi é irritante. - disse certa vez Kyon a mim. Eu achei isso estranho. Aquele comentário combinaria muito mais com Taniguchi do que com ele. Além disso, eu estava errado a respeito da preferência dele por garotas estranhas?

- Por que você diz isso? Eu pensei que vocês já estivessem em um relacionamento!

- Todos pensam isso.- ele resmungou, tomando um grande gole de chá – E tudo por culpa dela.

- Como assim?

Ele pareceu tirar forças de todas as partes de seu corpo, para pronunciar a frase:

- Suzumiya Haruhi é uma egoísta que pegou a mania estranha de me beijar quando bem quer.

Estranho aquilo. Geralmente, esse tipo de “mania” não desagradaria nenhum adolescente de nossa idade. Principalmente, sendo ela de Suzumiya-san que era incrivelmente linda. Confuso, apenas perguntei:

- Como assim?

Com uma expressão indescritível no rosto, Kyon passou a me contar sua história:

- Tudo começou quando ela criou- nesse ponto, ele parou um pouco a narrativa e mudou a palavra como se nada tivesse acontecido- bem, ela teve um sonho estranho e no dia seguinte usou um rabo-de-cavalo. Eu gosto de rabos-de-cavalo e elogiei. O problema é que ela é Haruhi, e seu egocentrismo tornou um “Ficou bom em você” em um “ Só fica bom em você”.

- Então ela viu isso como uma declaração?

- Ou algo parecido. De qualquer modo, quando eu cheguei na sala da brigada, eu estava cortesmente aceitando o chá da doce Asahina-san, quando ela chegou e nos viu. Nesse instante, a expressão dela me deu a entender que ela tinha um parentesco com Calígula ou que estava realmente revoltada por não ter. Foi uma cena incrível. Ela dispensou todos os membros da brigada e começou a gritar comigo. Sigh. Eu não estava entendendo nada, mas, caramba, aquela era Haruhi. Seria estranho se eu entendesse algo.

- Compreendo.

- E nesse instante, tudo começou. Ah. Se eu soubesse o que iria acontecer eu teria reagido, que é um eufemismo para “fugir e gritar desesperadamente”, mas não fiz isso.

Nesse instante, ele deu uma pausa. Imagino que ele tenha pensado em alguma piada. O Kyon era assim.

- Ela berrou algo como “ Você não entende por que estou tão brava!?!” e eu disse que não, ela se irritou mais ainda, berrou que eu era um idiota e...

Novamente, uma pausa. Mas dessa vez eu duvidei que ele estivesse pensando em uma piada.

-...ela me beijou.

Olhei para ele, esperando a continuação. Aquela revelação já me parecia chocante, mas seu decorrer poderia ser melhor ainda.

- Desde então, Haruhi tem usado esse método para findar todas as nossas discussões, para desanuviar seu tédio, para me pedir favores ou simplesmente para responder aos meus sarcasmos. É inacreditável. Há vezes em que antes que eu possa perceber, ela já está me beijando. Seja na frente dos membros da brigada ou, acredite, dos professores, quando sente que é “necessário”, ela simplesmente faz isso. Ou pior, ela agarra minha gola, lança um olhar realmente psicótico em minha direção e berra “Por que você ainda não me beijou, seu imbecil!?!”, forçando meus lábios ao encontro dos seus. Você acredita?

- É impressionante.

- É horrível, isso sim. Não sei mais o que fazer. Como posso explicar para os meus pais essas marcas vermelhas que aparecem em meu corpo “misteriosamente”? Além disso, é realmente detestável ser beijado por uma garota que você odeia. Você compreende minha situação, não, Kunikida? É constrangedor! Nem quero imaginar o que Taniguchi estaria berrando se estivesse ouvindo essa história. Bem, na verdade eu gostaria, mas isso não muda o quão ruim esses dias tem sido para mim.

- Você odeia tanto assim os beijos da Suzumiya-san?

- Sim. E o pior é que sei bem a surra que levaria se dissesse isso para ela.- comentou ele, comendo mais uma porção de comida.- Eu estou condenado a agüentar isso por mais três anos.

- Se você odeia tanto assim, nunca pensou em conversar com ela? Talvez ela parasse.

-...

- Na verdade, se você odeia tanto a Suzumiya-san por que continua no mesmo clube que ela? Chega a ser um pouco cruel.

-...

- Até porque ela provavelmente gosta de você.

-...

- Então, se você recusar cada beijo que ela tentar dar em você, ela irá parar de tentar.

-...

- O que você acha, Kyon?

Ele não me respondeu, abaixou os olhos e continuou a comer, sem me dar uma resposta. De repente, o ouvi dizer:

- Isso não funcionaria com ela...

- Eu acho que funcionaria.

- Eu digo que não.- respondeu ele me lançando um olhar entre o incriminador e o assustado, como se eu tivesse o flagrado em um momento muito privado.

Decidi não me meter mais no assunto.

- Afinal, minha teoria estava certa.- disse eu, sorrindo para ele.

- Qual?

- Você gosta mesmo de garotas estranhas.

Ele não reclamou, ou concordou, apenas disse:

- Você sempre teve boas teorias.

Pobre Suzumiya-san. Do jeito que meu amigo era, ela provavelmente ainda teria que dar muitos beijos pela frente. Não que isso fosse negativo... Para nenhum dos dois.


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ONE-SHOT: CIÚMES


Era aquele um dia plenamente normal, daqueles em que você consegue prever até como estará ao dormir, quando Suzumiya Haruhi me pediu um favor. Eu devia ter desconfiado logo. Suzumiya Haruhi nunca pede, ela ordena. Entretanto, dessa vez, ela estava pedindo. Decidi que se ela pedisse “por favor”, eu deveria fugir dali com urgência. Por sorte, minha cadeira era a mais próxima da janela.

- Um favor? O que seria, Haruhi? Você quer dar mais voltas pela cidade para procurar coisas estranhas? Quer fazer um filme? Um site? Uma trilha sonora?

- Não, seu idiota! Eu não pediria algo assim! Como membro da brigada é mais do que sua obrigação realizar todos esses serviços sob as minhas ordens! O que irei lhe pedir é algo pessoal.

“Droga”

- O que é?

- Você pode fingir ser meu namorado?

...

“Então é assim que a mente funciona em estado vegetal”

- Kyon!

Eu não entendia. Por que diabos ela estava me pedindo esse favor? Não era a mesma coisa de pagar uma conta ou de levá-la ao planetário. Ela estava me pedindo – de maneira indireta – que eu me relacionasse com ela.

- Haruhi, eu não posso. Mamãe sempre me disse para nunca me envolver com estranhos e você é a pessoa mais estranha possível, me pedindo o maior envolvimento que eu poderia ter com uma garota até minha maioridade.

- Será por pouco tempo.- ela argumentou.

- Eu sei. Por isso, eu ainda não fugi da sala.- respondi com sarcasmo, entretanto, para não chateá-la, remendei com uma resposta séria – Eu não posso fazer isso, Haruhi. Sinto muito.

- Tudo bem, eu peço ao Koizumi-kun.- respondeu ela se levantando. Instintivamente, agarrei seu braço.

Como era? Podia ser qualquer um?

- Qualquer garoto serve?

- Qualquer garoto que não vá se interessar por mim.- respondeu ela.

Ah. Aquilo mudava muito o cenário. Além disso, despertava muito mais minha curiosidade. E olhe que a minha precaução sempre a mantinha dormindo.

- Por que você quer um favor assim?

Ela pareceu reunir fôlego. Cara. O que poderia ser constrangedor para HARUHI?

- Um garoto me deu um fora e eu pretendo fazer ciúmes a ele. Tenho certeza de que se fizer isso corretamente, ele irá reparar em mim e lutará para me recuperar!

- Haruhi...

- Sim???

- Você leu algum shoujo?

Ela quase tacou o livro na minha cara e tenho certeza de que alguns órgãos meus quase foram chutados por baixo da mesa, mas eu a contive quando disse:

- Eu posso lhe ajudar.

Ao declarar isso a ela, Haruhi deu um sorriso radiante que, de algum modo, me pareceu vitorioso e disse:

- Então está feito! Eu não permitirei que você se arrependa!

- Eu já estou arrependido.

- Tudo bem! Então, eu não permitirei que você desista!

- Nisso eu acredito.

Ainda feliz, Haruhi inclinou um pouco a cabeça e disse as inacreditáveis palavras:

- Obrigada, Kyon.

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“Obrigada”. Eu havia escutado direito? Não, não. Era impossível. Suzumiya Haruhi não agradecia.

Sério. Ela amava aquele cara tanto assim?

Quem ele seria? Provavelmente um tipo estranho. O humano mais próximo possível de um etê. Eu realmente adoraria vê-lo. Ajudaria-me a entender porque ele havia rejeitado Suzumiya.

Eu sempre achei que era o único a perceber que Haruhi era uma garota insuportável, mas percebi que havia outro. Era um choque. Até porque, se o garoto era realmente estranho o suficiente para passar pelos critérios de Haruhi, ele deveria estar em um grau de desespero pelo sexo oposto que não o permitiria rejeitar qualquer garota. Principalmente, uma garota linda como Haruhi.

Sim, linda. Irritante. Egoísta. Egocêntrica. Excêntrica. Detestável. Ainda assim, linda. Sigh. Em que tipo de situação eu estava me envolvendo? Aquilo estava me afetando.

Ao intervalo, não permiti que ela saísse para dar sua habitual volta pelo colégio. Quis fazer a pergunta que insistia em martelar, bater e – acredite- incendiar a minha cabeça.

- Quem é o cara?

Ela não respondeu nada. Apenas me lançou um sorriso de deleite e me puxou pela gravata. Tive medo de pensar para onde ela estaria me levando. Deduzi que era até o garoto. E isso me assustou mais ainda.

Mas nada me deixou mais assombrado do que ver o garoto pelo qual Haruhi havia se apaixonado. Eu conhecia aquele cara. Era o Takaomi Izumi! O garoto mais popular do primeiro ano! No baile do colégio, três garotas haviam me trocado por ele!

- Haruhi, eu mudei de idéia. Você não se inspirou em um shoujo.

- Lógico que não.

- Você se inspirou em “A garota de rosa-shocking”.

Ela me deu um soco no estômago, em resposta. Sigh. Eu já vomitaria sem que ela fizesse isso. A visão de um garoto tão esnobe, mas ainda assim rodeado por garotas e ainda por cima, amado por Haruhi me deixava doente.

- Por que diabos você gosta dele?- sussurrei.- O que pode haver de tão estranho nele?

- Ele é meu amigo de infância.

- Então, ele deve ser realmente estranho.

Ela ia me acertar novamente, mas consegui segurar seu pulso, mas não consegui deter a sensação de peso e acabei com ela em meus braços.

- Minhas desculpas.- disse eu, tentando me afastar e sendo detido por ela que enlaçava a minha cintura. Certo. Eu estava chegando ao auge do terror. Mais um pouco e eu viraria um escritor gótico.

Entretanto, ao ver o olhar fuzilador de Haruhi, entendi suas intenções.

“ Você realmente acha que isso vai funcionar?”- pensei, pousando a cabeça em seu ombro e tentando adivinhar qual era o seu xampu. Maçã. Definitivamente, maçã.

- Haruhi!- para a minha surpresa, era Takaomi o autor da frase. Aquele plano insensato realmente estava funcionando? Tive minha resposta poucos instantes depois, quando ele se aproximou dela e perguntou com visível agressividade – Quem é ele?

- Ele é o Kyon.

“ E isso diz tudo”

- Por que você está abraçando um garoto? Você já me esqueceu? Argh. Você é assim desde criança. Age pelo impulso do momento e agarra o que quiser. Ainda bem que eu não me envolvi com você ou...

Aquele cara estava me irritando. Irritando mesmo. Eu não estaria naquela situação, se ele não fosse tão cruel com a própria amiga de infância. Pensar que Haruhi estava se esforçando para conquistar alguém tão idiota me deixava apenas mais irritado. Ela era alguém orgulhosa, então descobrir que ela havia se declarado para alguém havia sido um choque. Ela certamente estava bem certa de seus sentimentos para fazer isso. O idiota devia saber disso. E ainda assim estava sendo esnobe com ela.

Se Haruhi quisesse namorar um modelo, um bêbado, um alien ou um poste, eu não me incomodaria. Mas aquele cara. Aquele cara me irritava mesmo.

- É muito corajoso da sua parte, falar assim da minha namorada. – comentei com um sorriso irônico. – Nem eu tenho coragem de fazer isso.

Aquela foi a primeira vez que vi um rosto tão orgulhoso tornar-se tão incrédulo.

- Namoro? Vocês dois?

“ Não, na verdade há mais quatro pessoas envolvidas. É um novo tipo de relacionamento baseado em alguns esquemas da máfia italiana.”

- Sim, nós dois.- confirmei com um pouco mais de convicção do que gostaria.

Nesse instante, ele deu um sorriso amargo e disse com uma indescritível expressão:

- Boa sorte para vocês.

Assim que ele saiu, larguei Haruhi como se tivesse levado um choque. Queria deixar claro que minha atitude havia sido somente para ajudá-la. Contudo, quando vi o rosto dela, quando percebi aqueles olhos de ébano fitarem-me incessantemente, perdi totalmente minhas forças e declarei:

- Ele é um idiota.

- Eu tomarei isso como um insulto. Você está questionando o gosto de sua chefe de brigada.

- Acredite, essa não é a primeira vez.

- Eu só irei te perdoar porque você, afinal, fez um excelente trabalho. Como o esperado do co-fundador da brigada SOS.- respondeu ela, brilhando. Como ela conseguia isso? Como ela conseguia drenar toda a minha energia apenas com um sorriso? Provavelmente eu estava traumatizado, já que todo sorriso de Suzumiya era sucedido por humilhações públicas e pesados trabalhos braçais para toda a brigada. Sim, devia ser isso.

- Por que você gosta dele?- perguntei a ela.

- Somos amigos desde os sete anos, o sentimento surgiu naturalmente. Não há nada de estranho em se apaixonar por alguém que sempre está com você.

“É lógico que há. É como se eu me apaixonasse por você, do nada.”

Não entendi bem o porquê, mas aquele pensamento havia me deixado desconfortável. O filtro do meu sarcasmo precisava ser limpo, imediatamente.

- Kyon?

- O que é?

- Você está completamente vermelho.

Era só o que faltava. Uma febre. Inexplicável e saída do nada, assim como o amor de Haruhi.

Mas ao contrário da febre, eu não queria combater o sentimento dela. Quem sabe, se no final o garoto realmente passasse a gostar dela, a brigada não ficaria mais tranqüila? Eu poderia namorar com Asahina-san....

Como diz o ditado, há males que vem para bem.

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“ Contudo, o número dos bens que tornam-se males é muito superior”- complementei mentalmente, enquanto caminhava de mãos dadas com ela até o colégio. Além dos olhares chocados, eu ainda tinha que agüentar o mau humor matinal de Haruhi. Argh. Senhor, o que eu fiz? Esse é o castigo divino que me redimirá de todos os pecados?

A mão de Haruhi era pequena em relação a minha e esporadicamente ela me dizia irritada:

- Está doendo! Você quer parar a circulação sanguínea de sua líder!?!
- Oh, não. Meu plano perfeito...!

- Idiota!- ela reclamava, mas apesar de sua visível irritação era ela que, por vezes, apertava minha mão. Quem poderia entendê-la?

Quando chegamos, me recusei a conversar com os membros da brigada ou com meus amigos e fui logo até a sala. Eu agüentaria tudo, menos conselhos.

- Eu posso contar para os outros que o nosso namoro é falso?

- Claro que não! Que sentido haveria??? O que é falso deve parecer verdadeiro! É uma regra fundamental!

- No mundo do crime, você diz.- complementei, brincando.

Ela pareceu aprovar a piada, pois um tênue sorriso surgiu em seus lábios e ela me perguntou em um tom controlado:

- Por que você quer revelar isso?

- Eu não quero que as pessoas interpretem de outra forma.

- Humpf. “Pessoas”, é? Francamente, Kyon. É óbvio que você está falando da Mikuru-chan.

“ Onde Asahina-san entrou nessa conversa? Além disso, acho que ela conta como humana até o momento em que você mudar de opinião quanto a isso”

- O que tem a Asahina-san?

- Não se faça de idiota! Você entendeu bem!

“ Não, não entendi.”

- Certo! Eu entendi! É mesmo por causa da Asahina-san! Qual é o problema nisso????

Por que fui dizer aquilo? No tempo que levaria um piscar de olhar, Suzumiya Haruhi enlaçou-me pelos ombros em um longo e apertado abraço. Nossos corpos estavam tão próximos que eu podia sentir as batidas de seu coração.

- Haruhi, o que...?

- O Takaomi-kun está olhando, por favor, não reaja.

Vale lembrar que quando uma garota está a essa proximidade, sussurrando, com o coração disparado e com um corpo tão quente e macio seria difícil não reagir. Instintivamente, envolvi Haruhi, correspondendo o abraço e torcendo para que pelo menos ela não estivesse sentindo minha freqüência cardíaca. Foi quando ouvi a frase:

- Ele deve estar morrendo de ciúmes, não acha? Aposto que ele deve estar louco para me tirar daqui!- disse ela, desvencilhando-se do abraço com um grande sorriso.

Haruhi, você realmente sabe quebrar um clima, não é?

O que foi isso? Uma tortura lenta?

Eu sou um homem. Não brinque com meus hormônios. A sua sorte é que eu realmente sinto repulsa a você, caso contrário, eu já estaria aproveitando a situação há muito tempo.

- Eu aposto que sim.- respondi, inexplicavelmente irritado, sem coragem de olhá-la nos olhos.

Haruhi, como sempre, estava me irritando, e muito.

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Foi em outro dia comum, desses em que a gente espera até as surpresas, que vi uma cena que mudou tudo o que eu tinha em mente. O Takaomi, que havia rejeitado Haruhi e me forçado a entrar na estranha e insuportável rotina de fingir ser o namorado dela, me pediu explicações.

- Você não pode estar gostando de Haruhi. Fale a verdade. O que ela está tramando?

Devo admitir, aquele cara tinha bom senso. Bom. Era lógico que ele tinha, afinal, ele havia dispensado Haruhi. Entretanto, algo ainda me irritava nele. Talvez fosse uma antipatia qualquer, forte o suficiente para me fazer permanecer leal a Haruhi.

- E por que eu não gostaria dela?

- Ela é louca! Ela é estranha! E nos traga para dentro de seu mundinho particular, com a intensidade de um furacão!

Aquela descrição era completamente compatível e aceitável. Se houvesse algum sinal qualquer para avisar possíveis vítimas de Haruhi, ele teria aquela frase. Como eu rebateria algo em que eu concordava plenamente?

- Eu sei que ela tem todos esses defeitos, você não precisa me dizer isso.

- Então por que você está com ela!?! Você está apaixonado por ela!?!

Epa!

- Eu deveria ser o único a lhe fazer essa pergunta! Desde quando você se interessa com quem Haruhi está saindo ou não??? Existem várias garotas atrás de você, não é!?! Por que se importar tanto com uma!?!

- Você não respondeu minha pergunta!

- E nem você, a minha!

Nesse ponto da discussão, Haruhi entrou na sala. Aquilo estava cada vez mais e mais parecido com um shoujo.

- O que vocês estão berrando na imaculada sede da brigada SOS?- perguntou ela, em tom acusatório. Ei. Não me lance esse olhar. Quem começou foi ele. Além do quê, você é a que mais berra nesta sala, neste colégio, neste mundo.

- Eu estou saindo...- disse o arrogante, Takaomi, saindo sem dirigir a ela, um único olhar.
Eu não pude acreditar, mas sabia que era verdade. O estranho plano de Haruhi havia funcionado. Ele estava morrendo de ciúmes.

- Kyon! O que o Takaomi-kun estava fazendo aqui???

- Nada.- menti. Eu não queria entusiasmá-la com aquela notícia.

- Vamos! Você pode me dizer!

“ Eu posso, mas não quero”

- Esqueça.- disse eu, tentando me concentrar em minha lição de casa. Ela, então, pousou a cabeça sobre meu ombro, por trás de mim. Eu poderia citar trinta e cinco coisas que me atordoaram naquela cena, mas o perfume dela era a mais preocupante. Dessa vez, era laranja. Talvez ela mudasse de acordo com os dias da semana, assim como fazia com seu penteado no passado. Decidi que não deveria comentar isso com ela, sob pena de levar a culpa por ela nunca mais lavar o cabelo.

Eu estava tão acostumado com a proximidade de Haruhi que até estranhava sua ausência. Eu havia me habituado com o peso de Haruhi – que antes se concentrava somente em miinhas costas – em meus ombros ou braços. O que defende minha tese de quão poderoso é o hábito.

- Diga para mim, Kyon...- disse ela, sussurrando -...o que ele queria?

“ Você”

- Nada. Pare de me importunar.

- Eu não vou sair daqui a menos que você me conte!

“ Eu estou ficando com raiva”

- Tudo bem! Fique aí o dia inteiro! Você não faz diferença!

De repente, me toquei de que minha frase poderia tê-la ferido, mas ela nada comentou e nada fez.

- Haruhi?

- Ele me dispensou não foi?

- O quê?

- Ele disse alguma coisa que poderia me ofender. Por isso você não está me contando.

- Eu...!

- Diga a verdade!

Bem, ele havia ofendido Haruhi, mas somente porque a amava. Apesar do paradoxo, essa frase é completamente compreensível.

- Eu acho que ele está com ciúmes de você...- admiti, sentindo-me um fracassado.

- Mesmo???? Então, deu certo??? Bah! É óbvio que deu certo! Afinal, o plano era meu e eu sou brilhante!- exclamou ela, com os olhos brilhando, preenchidos por uma grande alegria. Na verdade, há muito eu não via Haruhi sorrindo tanto. Aquele idiota a deixava tão feliz assim? Vê-la agir de modo tão estranho era realmente um saco.

- Nós podemos terminar a atuação agora? Você já conseguiu o que queria, não foi?

- Nada disso! Um velho sábio dizia que você devia terminar o que começou!

“ Esse velho sábio provavelmente era seu pai lhe mandando terminar alguma coisa”

- E o que você sugere agora?

Ela novamente pareceu juntar forças e extrair todo o oxigênio que havia na sala. O que era agora?

- É realmente uma honra, um privilégio para você ter que vivenciar isso, então seja grato e não reclame!

- Do quê?

- Do beijo que você vai me dar.

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Corredor, três da tarde. Eu – vulgo: Kyon – estava me preparando para uma cena inacreditável. Eu iria beijar Haruhi.

Cena que só tinha ocorrido em meus pensamentos mais pessimistas e nos meus piores pesadelos.

Minha caridade era tão grande assim? Nem eu sabia que era tão altruísta. Eu devia ganhar uma estátua!

Normalmente, eu nunca tocaria em Haruhi, mas aquilo...aquilo era por uma boa causa. Depois que eu a beijasse, Takaomi teria um acesso de ciúmes e a tiraria de mim. Os dois começariam a namorar, ela se distrairia e deixaria de criar espaços fechados. Todos sairiam ganhando. Até mesmo Nagato que sequer foi citada na história. E ainda havia o fato que eu finalmente poderia namorar Asahina-san, o que era minha motivação desde o início. Um beijo. Apenas um beijo; e tudo estaria encerrado.

Era essa a minha linha de raciocínio. Ela era tão boa que foi uma pena vê-la dissolver-se em minhas mãos, diante da chegada de Haruhi com um rabo-de-cavalo.

Aproximei-me dela como se me certificasse se ela era ou não uma miragem.

- O que foi?- perguntou ela, apreensiva.

- Nada.- respondi.

- Mentira! Ficou horrível, não foi??? O Takaomi-kun vai odiar! Bah! Não sei o que me deu para usar um rabo-de-cavalo!

- Haruhi...

Assim, cheguei a conclusão de que minha raiva por ela era maior do que eu conseguia imaginar.

- O quê?

Decidi que, definitivamente, eu não podia agüentar aquela experiência.

- Você é uma idiota.

- O qu...!?!

Seus lábios tentaram resistir, não permitindo minha passagem, mas sua boca era tão macia quanto seu corpo e eu não consegui desistir. Por longos instantes, meus lábios disputaram com os dela, até que eles se entreabrissem, procurando por ar e nesse instante eu a beijei. Eu sempre quis saber o gosto dela. Não soube definir. Era um gosto doce e quente do qual eu não conseguia enjoar. Nunca me senti tão vulnerável, em face ao meu desespero em roubar seu fôlego. Conclui que nem mesmo eu sabia o quanto queria beijar Haruhi. E agora todo aquele desejo vinha como uma sede selvagem que ia de meu peito a minha boca.

Eu estava- novamente por instinto- tentando enlaçá-la quando senti uma forte dor e um profundo impacto no lado esquerdo de meu rosto. Achei que minhas ações haviam, finalmente, me rendido um golpe de jiu-jítsu quando percebi o responsável pelo ato. Takaomi me olhava com uma fúria incontida. Aparentemente, eu havia levado um soco.

- Seu idiota! O que você pensa estar fazendo!?!

Olhei para Haruhi.

“Parabéns, ele está com ciúmes. Você conseguiu. Está satisfeita?”

- Venha comigo!- disse ele, tomando a mão dela e a levando para fora do corredor, onde eu ainda estava caído, com o rosto ardendo de dor e vergonha.

“Então me deixe em paz.”- concluí.

Eu estava ferido. Não apenas em meu rosto. Não apenas em meu orgulho. Eu estava ferido em algum lugar muito mais íntimo e oculto em minha alma.

Não era como se eu não esperasse por aquilo, mas, talvez, justamente por esperar que aquilo tivesse acabado comigo.

E tudo era culpa de Haruhi. Daquela imbecil da Haruhi. Daquela detestável egoísta.

Eu vaguei pelos corredores por horas, até ser encontrado por uma alegre chefe de brigada que sorria como nunca.

“ Você realmente não se importa com o meu estado, não é?”

- Kyon! Kyon! Por onde você esteve!?! Eu estava lhe procurando como uma louca! Tenho novidades!- exclamou ela, visivelmente entusiasmada.

- É mesmo?- retruquei com raiva e ironia, mas ela aparentemente não percebeu. Ou ignorou, como fazia usualmente.

- O Takaomi-kun se declarou pra mim! Ele estava morrendo de ciúmes! Fique feliz por sua chefe de brigada, Kyon! Pela competência de seus atos, lhe promoverei três cargos adiante!

- Ah, mesmo?- retruquei no mesmo tom, sentindo meu corpo pesar cada vez mais.

- O que há com você? Não está feliz?

- Não, não estou nenhum pouco.

- O que você disse!?!

Temendo que ela reagisse, coloquei-a contra a parede para que ela não escapasse.

- Eu disse...- falei unindo fôlego e vãs tentativas de recobrar a razão-...que não estou nada feliz.

- Por quê?

- Porque como eu disse antes, você é uma idiota.

- E você me odeia por isso!?!

Nem eu entendi o porquê, mas meu corpo reagiu a beijando intensamente. Mesmo se levasse mil socos eu não pararia aquilo. Lembro-me que pensei algo parecido quando estava no espaço fechado. O mundo, literalmente, poderia acabar sem que eu encerrasse aquele beijo. Porque o gosto de Haruhi era realmente doce.

Quando nossos lábios se separaram, ainda recuperando o fôlego, eu os desci até seu pescoço e experimentei o sabor de sua pele, dominado pelo instinto primitivo de deixar uma marca nela. Eu podia sentir os batimentos cardíacos, através da fina pele do pescoço. Podia sentir seu ritmo respiratório. Não que eu me importasse muito, pois estava completamente embriagado pelo perfume dela. Dessa vez, era canela. Um gosto doce e amargo. Tão peculiar quanto a própria Haruhi. Doce e quente. Como sua boca e pele naquele momento.

Droga. Aquilo não era óbvio o suficiente?

Quando finalmente quietei meus lábios, segurei seus ombros e disse:

- Muito além do que você possa imaginar. Eu te amo muito além do que você possa imaginar, por isso.

Ela olhou-me com tamanho espanto que chegava a ser engraçado. Sua surpresa era como a de mulher que procura saber se o marido tem um amante e descobre que ele era um padre. Acho que ela realmente estava chocada com a revelação. E não era de se estranhar, já que eu era o mais chocado. Após tantas voltas, eu finalmente soubera o que Haruhi representava para mim. E o mais engraçado é que a definição já havia sido dita por mim. Haruhi era Haruhi. Irritante e estranha. Egocêntrica e teimosa.

E ainda assim, eu havia declarado meu amor a ela.

- Você me ama?- perguntou ela, tentando assumir um tom autoritário.

- Ou algo parecido.- respondi um pouco mais calmo e irônico.

- Idiota!

A resposta dela nunca mudava. O mesmo insulto e o mesmo abraço. Mas dessa vez Takaomi não estava ali. E era humilhante o quanto aquilo me deixava feliz.

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Antes de me dar qualquer resposta, Haruhi disse que iria falar com Takaomi. Sigh. Aquele seria o fora mais marcante da era moderna desde que Nietszchie fora dispensado por Salomé. Eu me declarei para Haruhi. Haruhi! E me declarei logo no momento em que ela estava tentando conquistar seu amado e o pior, conseguindo! Eu era masoquista?

Bem, o poder do masoquismo certamente vencia o do hábito, então talvez fosse aquela a explicação final do motivo que me guiava àquela brigada.

Como Haruhi demorava, resolvi ir até a sala onde os dois estavam e já ia entrar quando a ouvi dizer:

- Perfeito! Deu tudo certo! Você é brilhante, Takaomi-kun! Promoverei-lhe três cargos adiante em minha brigada!

- Eu já disse que não quero entrar nessa brigada.

- Bobagem. Quem não quer entrar na brigada???

“ Eu nunca quis”

- Eu não quero!

- De qualquer modo, muito obrigada por sua colaboração! Meu plano perfeito – como o esperado- deu certo! O Kyon realmente gosta de mim!

- Bah. Eu tive que passar por um papelão! Sabe quantas garotas vão se afastar de mim?

- Bobagem! Você as recupera em dois instantes! Quando elas souberem de sua posição na brigada, elas voarão em cima de você!

“ Com facas, eu suponho”- pensei com certo sarcasmo, mas ainda tentando entender o que exatamente era aquela conversa.

- Você armou todo esse plano e toda essa atuação apenas para testá-lo? Sigh. Você realmente está apaixonada, não é?

Nesse instante, meu coração perdeu as noções cardeais, morais e biológicas e perdeu completamente o controle.

Então, ela não estava apaixonada por Takaomi. E Takaomi não estava apaixonado por ela.

Claro, isso era lógico levando em conta o quanto Haruhi era estranha. Um plano desses para conquistar um garoto? Tenha dó. Ninguém em sã consciência se apaixonaria por ela.

Exceto eu.

“Ainda bem.”




FIM

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25/04/2009

EXPLICANDO O PROPÓSITO DESSE BLOG:


Para mim, o apocalipse começou quando o apocalipse de Suzumiya Haruhi terminou com um beijo. Um beijo! Meus dois protagonistas haviam se beijado! Eu queria mais!
Entretanto, as coisas continuaram as mesmas, após aquele beijo. Os dois continuaram na sua convivência, digamos, tranquila e Kyon continuou a encarar Haruhi como uma lunática- isso na visão do anime, claro. Insatisfeita e ainda com o coração disparando- " Eu pensei que ele iria perceber seus próprios sentimentos, droga!"- decidi ler a novel. Estava em inglês. Era cansativo ler várias páginas para encontrar apenas algumas sutilezas românticas. As sutilezas me faziam suspirar, mas também me matavam de desespero. Decidi passar para algo mais direto. Fui atrás de fanfics. Acreditem. Em todo o google só havia UMA fic (brasileira) romântica de Suzumiya Haruhi e ela nem completa estava.
Revoltei-me. Pensei em perder as esperanças. Foi aí que apareceram as fics em inglês.
Fics HaruKyon em inglês, são escassas, mas existem. E você pode encontrar ótimas obras se souber onde procurar. Entretanto, muitas delas tem o estilo EXATAMENTE igual ao da série, ou seja, sutil demais e apenas mostram o Kyon e a Haruhi fazendo algo juntos sem fazer nenhuma referência romântica ou algo assim. É frustrante.
Tão frustante quanto encontrar histórias em que a Haruhi diz "Kyon-chan" e cora ou em que o Kyon fica direto dizendo "Ela é linda. Será que eu estou apaixonado?". São cenas totalmente desleais a novel.
Felizmente, encontrei uma série de boas fics românticas. Fics em que os personagens passavam por intensas emoções e que tinham pesadas cenas românticas, mas em que o Kyon continuava a ser um sarcástico que se esforça para controlar seu relacionamento com Haruhi e ela continuava com seu temperamento impetuoso e impulsivo, sem corar a cada três palavras.
Acho eu, que no momento em que Kyon realizasse seus sentimentos, ele iria querer uma resposta imediata de Haruhi. Também acredito que ela seria capaz de tomar parte da iniciativa.
Gosto de várias one-shots de ciúmes, de dúvidas, de brigas e etc. Enfim, gosto de boas histórias do casal. Então vos trago neste blog, as melhores histórias em inglês, minhas one-shots e tudo o que puder colocar sobre eles. A colaboração e os comentários de todos, seriam muito bem vindos!

Obrigada pela atenção! Apreciem o blog!^_^

ONE-SHOT: DE QUEM VOCÊ GOSTA?

Um dia, a pergunta apareceu na minha mente como um estalo, como uma explosão, como os doze cavaleiros do Apocalipse, não sei. Acho que foi o que as pessoas chamam de impulso. Ninguém poderia me culpar por um lapso.

- Haruhi...

- O que é!?!- perguntou ela, com sua habitual impaciência.

- Você está gostando de alguém?

Haruhi nada respondeu. Apenas me olhou, chocada.

Droga. Eu seria morto.

E se não fosse morto, iria me matar. Ou pelo menos, fazer algo suficientemente trágico para que Haruhi esquecesse minha pergunta.

- Por que isso lhe interessa?- Ela perguntou.

Admito, era uma boa pergunta. Eu precisaria de tempo para pensar.

- Não me interessa. Estou apenas perguntando.

- Nesse caso, não irei responder.- Disse ela, deitando o rosto na mesa e fechando os olhos, parecendo irritada como se eu tivesse lhe proferido a pior das ofensas.

" Então você gosta de alguém!"- Conclui, sem saber ao certo o que deveria sentir com essa constatação. Eu deveria ficar feliz por Haruhi, como um amigo ficaria? Aliviado, como o escolhido dela ficaria? Neutro, como qualquer um que se sentasse a frente dela ficaria?

Afinal, que tipo de papel eu deveria representar?

Droga. Isso implicaria ter que classificar Haruhi e eu já tinha descoberto que não era nada bom nisso. Muito menos em um momento daqueles. Com uma pergunta comprometedora lançada no ar e com uma angústia mais suspeita ainda.

O que eu deveria fazer?

Respondê-la? Ignorá-la? Mudar de assunto?

Eu nem sequer sabia se deveria me preocupar com meus pensamentos, ou com o que ELA estava pensando.

- Haruhi, quem é o garoto que você gosta?

- Por que você quer saber disso?

- Pelo mesmo motivo que você quer saber se aliens existem ou não. Porque eu acho interessante.

Novamente, ela pareceu se ofender. Sabe-se lá com o quê.

- Você não deveria querer saber! Ele é um idiota!

- Todos os homens são idiotas para você, Haruhi.

- Koizumi-kun não é um idiota!

"E desconfio que não seja homem", pensei em dizer, mas desconfiei que se o dissesse, não haveria um dia em que eu não sofresse uma tentativa de atropelamento por uma mercedes branca.

Então, Koizumi estava eliminado, huh? Muito bem, senhorita Haruhi. Então, você gosta de alguém que não lhe vê como uma deusa. Isso elimina suas probabilidades de conquistá-lo.

Por outro lado, eu ficaria mais tranquilo se fosse Koizumi. Koizumi jamais se envolveria com Haruhi. Outro cara...bem, ela já havia saído com vários não era? E ela era uma garota atraente. Irritantemente atraente.

Tudo isso me preocupava, mas o que mais me preocupava era o uso do termo "tranquilo" em uma das frases acima. Por que aquilo me parecia tranquilizador? Desde quando eu me importava com quem Haruhi saía ou não?

- Kyon?

Por que resolvi fazer aquela pergunta, à princípio de conversa? Aquilo não me interessava. Haruhi podia sair com um cara, com uma mulher ou com um etê. Não era da minha conta.

- Kyon?

Bem, na verdade era sim. Eu era o escolhido dela, não era? Como ela ousava me envolver naquela história sem sentido, mudar meus conceitos de mundo, colocar-me em um patamar e depois gostar de alguém? Se ela quisesse me monopolizar, tudo bem. Mas teria seu troco. Ah, como teria.

- Kyon?

Dei um meio sorriso. Ela pareceu não entender. Não me importei com o fato que ela era uma excêntrica, uma deusa ou uma distorção temporal. Novamente, isso não me pareceu ter a menor importância. Deixei meu peito gritar e perguntei a ela, calmamente:

- Então, você está apaixonada por alguém, não é?

- Eu...!

Não deixei que ela concluísse sua frase. Peguei seu braço e selei sua boca com um beijo. No momento em que fiz isso, percebi o quanto senti falta daquele sabor. Sentindo aquela sensação vagamente macia e quente em minha boca, senti como se toda a minha racionalidade fosse atirada pela janela e como se algo pesado saísse de dentro de mim. Tentei roubar seu fôlego a todo custo, pois cada vez que sentia aquele toque tornar-se mais profundo, meu corpo parecia mais leve e quente. Não havia um sentido naquilo e nem precisaria ter.

Não quis uma explicação.

Finalmente, separei o beijo. Haruhi encarava-me como se eu fosse um louco, um delinquente. Um atendente de telemarketing. Ignorei. Já havia ignorado meus sentimentos muitas vezes, então em um caso excepcional, decidi ignorar minha mente.

- Haruhi.

- O que voc...!?!

- Ainda bem que o garoto que você gosta é um idiota.

- Han!?! Mas do que diabos você...!?!

Toquei o rosto dela. O sorriso sumira, agora eu estava sério.

-...Pois assim a disputa será muito mais fácil.

Nesse instante, saí da sala, tendo a certeza que havia mudado algo no universo, em mim e na entidade chamada Suzumiya Haruhi. Eu seria o preferido dela. Tinha certeza disso.

Eu era o único que podia me manter ao seu lado e descobri que gostava disso. Um pouco mais do que preferia gostar, talvez.

De todo modo, quem era aquele idiota de quem Haruhi se referia? Sigh. De que tipo de garoto ela gostaria? Ele devia ser realmente estranho. Pensei que não gostaria de conhecê-lo. Por dois motivos completamente opostos...

É por isso que hoje, no dia da nossa formatura, fiquei tão surpreso em descobrir que essa pessoa era eu. E, pela primeira vez, fiquei feliz por ter agido de maneira impulsiva e irracional naquele dia. Por não ter encarado as consequências de meus atos. Enfim, por ser um idiota.








FIM

ONE-SHOT: Um Cosplay para Asahina-san



Aquele era mais um dia comum, até o segundo em que os olhos de Suzumiya Haruhi encontraram-se aos meus. Percebi pelo brilho que ela estava planejando algo. Aquele era o brilho fascinante e enigmático dos olhos de Hannibal Lecter devorando suas vítimas. Mas isso é apenas um detalhe. Haruhi não me devoraria. Não enquanto eu pudesse realizar serviços braçais.

Sentei na carteira a frente e esperei as consequências. No pior dos casos, eu era o mais próximo da janela.

- Oi...- falei hesitante. Ela não perdeu tempo.

- Preciso de você.- ela disse. Um "bom dia" seria mais apropriado, mas como já disse, aquela era Haruhi. Então, novamente aquilo era um detalhe.

- Tudo bem, mas quero apresentá-la aos meus pais primeiro.

- Idiota!

- É sempre bom contar com suas respostas inteligentes, Haruhi.- respondi tranquilamente. Aparentemente, meu sarcasmo e meu senso de sobrevivência estavam em uma batalha mortal. Meu sarcasmo provavelmente venceria. Ele era mais forte.

Ela resmungou algo incompreensível e voltou seus olhos de ébano- em chamas- para mim.

- Preciso de um conselho seu. Como exemplar masculino, entende?

" Então por que não perguntar para o Koizumi?", pensei em perguntar, mas achei que a resposta mudaria completamente o foco da discussão.

Nem me perguntei porque ela não estava perguntando isso a qualquer outro garoto. Tinha plena consciência de que Haruhi consideravam os homens o mesmo que batatas. Ou seja, eu era uma exceção à regra.

- Então, eu não sou uma batata.

- O quê!?!

- Não, nada.

- De qualquer modo, quero um conselho seu. Que cosplay você acha que ficaria bom na Mikuru-chan?

- Esse é seu departamento, não é?

- Vamos. Eu conheço sua tara por ela. Essa coisa primitiva que os homens nutrem. Diga logo e não ouse tentar mentir.

Por que diabos eu mentiria em uma situação dessas?

- Por que você está me perguntando isso?- indaguei. Tentando realmente compreeender a situação.

- Porque eu não sei mais o que fazer! Eu já usei todas as taras masculinas possíveis! Bunny-gail, líder de torcida, enfermeira, empregada, garçonete....Ah! Como posso torná-la mais moe!?!

Se ela fizer exatamente a cara que você está fazendo agora, dará certo.

Eu nunca poderia responder isso. Na verdade, eu nunca deveria ter pensado nisso. Certo, Haruhi era alguém atraente, mas se dependesse de mim, ela nunca saberia disso.

Se dependesse de mim, na verdade, eu não gostaria que ninguém soubesse disso.

Lógico, eu nunca diria isso para ela. Não deveria pensar nisso também.

- Eu não sei o que você pode fazer.- respondi sinceramente.

- Como não, Kyon!?! Eu estou lhe dando a oportunidade de revelar suas mais secretas fantasias sem que você seja julgado pela sociedade e você diz isso!?! Vamos, vamos! O que lhe excita????

- Ações da VALE.

- Idiota!

A mesma resposta. Haruhi não sabia ser original.

Tirando o fato de acreditar e procurar por espers, alienígenas, viajantes do tempo, UMAs ou afins, ela não tinha criatividade.

E sim, estou usando a ironia para corrigir um lapso. EU sou criativo. Original? Felizmente não.

- Que tal professora?- sugeri. Não sei porque pensei em uma professora. Talvez homens fossem tão primitivos quanto Haruhi julgava. Não sei. Ou talvez eu estivesse apenas querendo encerrar logo aquela conversa.

- Professora???? Você tem uma tara por professoras!?! Isso realmente não lhe cai bem, Kyon!

- Você não disse que não ia me julgar???

- Eu não estou lhe julgando! Estou lhe alertando!

Haruhi. Haruhi. Como entendê-la?

Como evitar sentir algo morno em meu peito quando se tratava dela?

Como olhar nos olhos dela e dizer o que eu queria que Asahina-san vestisse, quando eu a imaginava com todas as roupas que ela sugeria?

Sigh. O que havia de errado comigo? Se aquilo eram os hormônios, eu passaria a tomar doses diárias de estrogênio.

- O que você propõe que eu sugira?

- Algo que atraia todos os homens! Algo que desperte atenção! Imagine! O que poderia lhe atrair mais????

Ela estava animada e, sem querer,- eu suponho- aproximou o rosto do meu. Ela ousou misturar a respiração com a minha. Ousou fazer-me mergulhar naqueles olhos de ébano. Suspirei. Droga. Não havia jeito. Eu não tinha como fugir daquela...

- Você. De rabo de cavalo.- respondi finalmente.

Um longo silêncio permaneceu na sala. Quando os outros alunos entraram, o clima era o da confissão de um crime. Alguns perguntaram se Haruhi tinha me batido. Disse que não para a maioria. Disse que sim para alguns, só para observar a reação.

No dia seguinte, Haruhi apareceu de rabo-de-cavalo. O desmanchei na hora. Ela chamaria a atenção de todos os homens assim. E era exatamente isso que eu não queria.








FIM

ONE-SHOT: BRISA E TEMPESTADE


Saí da sala da brigada, furioso. Decidido a não voltar. Na verdade, sequer sabia como tinha suportado tanto tempo sem ter aquela reação. Acho que para proteger Asahina-san, provavelmente. Entretanto, vendo meus esforços sendo jogados Everest abaixo, cansei e explodi. Não no sentido literal, claro. Mas pelo olhar de fúria de Haruhi, esse pequeno lapso ortográfico muito em breve seria corrigido.

Brigamos. Acho que nunca fui tão franco e duro com ela.

Contei a verdade, que ela envolvia Asahina-san e eu em seus planos sem sentido, que ela era uma idiota incorrigível e que se não melhorasse, eu sairia daquela brigada.

- Saia então! Ninguém está lhe impedindo!

E foi o que fiz.

A fúria me sufocava até a essência de meu ser, mas saber que Haruhi havia acabado de aceitar aquilo com tamanha facilidade, era ainda pior. Senti uma estranha mistura de angústia, raiva e um terrível desespero, mesclarem-se em meu peito. Eu ainda não entendia aquele sentimento, mas ele certamente alterava muito o ritmo da minha respiração.

Tentei manter o controle. Onde estava aquele Kyon racional? Aquele Kyon lógico, sarcástico e conformado que não se chamava por aquele apelido ridículo?

Não consegui me acalmar. Era como se algo pesado e intoxicante pairasse sob o ar.

Súbito, a porta do clube se abriu.

- Kyon!

Ela pareceu surpresa em me achar no corredor. Minha surpresa foi descobrir que ela também tinha vindo ao corredor. E mais, que não era só minha respiração que estava alterada...

- O que é!?! Me deixe em paz!

- Kyon! O que você está fazendo!?! Me espere!

...meu ritmo cardíaco também.

Desci rapidamente pelas escadas. Eram vários andares. Amaldiçoei Haruhi e o engenheiro do prédio por isso. Meu fôlego parecia cada vez menor, mas continuei a correr. Não podia encará-la. Não no estado em que estava.

Finalmente. paramos em um andar, pois Haruhi parou de correr atrás de mim e sentou-se em um banco, fuzilando-me com olhar.

- Eu estou cansada, sabia?- Ela disse, irritada.

- Eu não lhe obriguei a correr atrás de mim por vários corredores.

- Tudo bem! Não vejo problema! Foi como uma partida de pac-man!

- Nesse caso, eu sou um fantasma ou uma fruta? Hmm. Vamos ver o que é mais ofensivo...

- Kyon...- O olhar dela agora, era aflito.

- O quê, Haruhi? Vai fingir que tem sentimentos? Eu sei que você não é assim. Pare de ser tão hipócrita para conseguir o que quer.

A raiva me subiu a cabeça. Eu ofendia Haruhi como se arrancasse ácido de minhas veias. Eu simplesmente perdi o controle, achando que não haveria consequências. Afinal, aquela era Haruhi, não era? Ela não me importava e nem SE importava, então eu finalmente podia desabafar e descontar nela, toda a frustração que aquela brigada havia me trazido desde o seu primeiro dia de criação. Não faria diferença.

- Kyon...Você ama a Mikuru-chan?

Essa pergunta me surpreendeu.

Ela estava brincando? Não podia ser. Haruhi estava sempre séria. Então qual o sentido daquela pergunta?

- Não é essa a questão...- respondi, desviando meu olhar. Droga. Por que eu não estava confirmando isso? Eu sempre disse para mim mesmo o quanto amava Asahina-san, então por que não conseguia dizer isso para Haruhi? Por que era tão desconfortável falar de meus sentimentos olhando nos olhos dela?

Eu não estava escondendo algo.

- Então, me responda...Você me odeia?

- Êh?

- Você brigou comigo. Disse palavras cruéis que um subordinado jamais deveria dizer à sua líder. Para se rebelar a esse ponto por alguém que você não ama, você deve me odiar.

Ódio era uma palavra muito forte. Certo, o que eu sentia por Haruhi era muito forte. A prova disso era que eu continuava indo na brigada todo dia, mesmo dizendo a mim mesmo que jamais voltaria lá. Algum magnetismo me atraía para aquela sala contra vontade.

Se eu a odiava?

- Sim, Haruhi, eu te odeio.

Ela deu um suspiro, se aproximou da janela. O que ela...?

- Kyon.

- O que você está fazendo?

- Se eu me atirasse daqui, o que você faria?

- Ligaria para uma ambulância.- respondi secamente. Não estava com paciência para brincadeiras. Especialmente para uma sem a menor lógica.

- Então, você não me seguraria?

- Eu poderia cair junto e, me desculpe, Haruhi, mas eu não morreria por você.

- Eu entendo...

Súbito, Haruhi se encostou no parapeito e deixou seu corpo deslizar suavemente para trás, no que seria o início de uma queda fatal. Era sério!?!

Não sei exatamente, o tempo que aquilo durou ou o quanto ela esteve em perigo, pois assim que percebi seu desequilíbrio, como que por reflexo, abraçei seu corpo, impedido sua queda.

Meu movimento foi puramente instintivo. Eu apenas perdi o controle, quando a vi daquele jeito. A idéia de perdê-la de um jeito tão bobo ainda fazia meu coração falhar uma batida.

- Haruhi...- reuni forças e fôlego-...o que diabos você estava fazendo!?! Você é mesmo uma idiota, não é!?!

Eu estava com raiva. Realmente zangado. Entretanto, não larguei-a de meus braços em nenhum momento.

- Idiota.- disse ela- Você não disse que ligaria para a ambulância?

- Você podia ter morrido!

- Isso lhe transtorna tanto?

Era assim que ela via a cena? Eu era um idiota? Ela não percebia que se ela realmente tivesse caído, quem estaria em uma ambulância seria eu?

- É claro que sim, sua imbecil! No que você estava pensando!?! Você realmente ia fazer isso!?! Quão burra você é!?!

- Qual é o seu problema!?! Isso não é da sua conta!

- É lógico que é!

- Mas você me odeia, não é!?!

- Não! Eu não odeio!

- Mas você disse que...!

- Eu te amo, sua idiota! Eu te amo! Eu te amo tanto que me jogaria da janela se você pedisse! Eu te amo tanto que mal posso recusar um pedido seu! Eu te amo a ponto de querer te odiar, Haruhi! Droga! Você não consegue entender algo tão óbvio!?!

Pronto. Era isso. Não me importaria se ela me batesse ou me punisse. Eu queria uma resposta. E queria agora.

Ela me forçara até minhas últimas limitações ao me perguntar se eu a odiava. Contudo, quando ela tentou se jogar pela janela, concluí que era hora de esclarescer algumas coisas. Principalmente, para mim mesmo.

Certo. Eu te amo, Haruhi. E isso está matando minha lucidez.

- Eu...

- Você não me odeia.- respondeu ela com um sorriso vitorioso- E eu sabia que você iria me pegar, idiota.

- O quê!?!

- Porque eu confio em você.- Complementou ela, lançando um sorriso quase terno para mim.

Confiar em mim? Como assim? Que droga era aquela? Por que ela não estava me respondendo?

Eu estava confuso. O perigo já havia passado, mas meu coração permanecia acelerado como se o perigo real ainda estivesse surgindo. Talvez ele não estivesse errado.

- Haruhi...

- Você, subordinado número dois. Eu sei que é seu dever proteger a mascote da brigada, mas nós somos amigos. E mais, eu sou sua chefe. Então da próxima vez que você vier com uma atitude tão imbecil eu realmente lhe expulso da brigada, entendeu?

Eu entendi. Ao ouvir a palavra "amigo", eu finalmente entendi.

Droga, Haruhi. Por que você me faz utilizar os verbos nas orações mais inadequadas possíveis?

- Kyon?

Eu tive que brigar com você, correr por vários corredores e impedir que você se jogasse da janela para você me dizer que eu sou um amigo?

Você é idiota?

Você diz uma coisa dessas quando está nos meus braços? Sentindo meus batimentos cardíacos???

Droga! Você ainda não entendeu o que eu disse!?!

- Kyon, eu tenho que ir, eu...

Ela tentou se soltar de meus braços. Não a deixei ir.

Ela se surpreendeu.

- Kyon, o que você...?

Não dei tempo para que ela terminasse a frase. Beijei Haruhi. Beijei com todo o meu fôlego e alma, até saciar aquela estranha e infindável sede que senti dos lábios dela. Sério. Como uma boca podia ser tão doce? Finalmente, percebi o quanto sentia falta daquele gosto. Daquele toque. Haruhi era tão macia que eu tinha vontade de apertá-la em meus braços e nunca mais deixá-la ir. E o calor que emanava de sua boca, descia em ondas por meu corpo.

Então, o acidente ocorreu.

Haruhi tropeçou no ar e nós caímos pela janela. Juntos.

Chegamos ao solo rápido. Talvez rápido demais. E foi menos doloroso do que imaginei.

"Será que eu morri?"- perguntei-me. Recobrando a razão, olhei para a janela.

Nesse momento, percebi algo que eu não tinha notado até então.

- Haruhi...Nós estávamos no primeiro andar?

Ela me olhou.

- Você sabia disso?

Ela confirmou com a cabeça.

Sigh. Eu poderia brigar com ela, mas seria estranho já que eu não conseguia tirar aquele sorriso do rosto.

- Então até suas declarações são excêntricas, huh?

Antes que ela pudesse contestar, a beijei novamente. Não seria Asahina-san ou uma janela que nos separaria. Principalmente, uma no primeiro andar. Especialmente, uma envolvida nos planos de Suzumiya Haruhi. Minha namorada.





FIM

24/04/2009

ONE-SHOT TRADUZIDA! - "Acho que devo fazer isso"

"Acho que devo fazer isso"- disse Itsuki, olhando através da janela do clube.

"Fazer o quê?"- Kyon perguntou, sem disposição para tirar os olhos de seu mangá.

"Chamá-la para sair."

"Chamar quem para sair?" Pare de ser tão misterioso. Está me irritando mesmo.

"Haruhi."

"O quê?"- Kyon disse, finalmente olhando para Itsuki, bastante chocado. Itsuki tirou os olhos da janela e encarou o olhar espantado de Kyon.

"Eu disse que acho que devo chamar Haruhi para sair "

"Não tente se fazer de sonso! Eu perguntei o motivo!"

"Eu sempre tive vontade. Afinal, ela é uma garota linda e interessante."

" Bem, você não pode sair com ela!" Kyon disse, agressivo.

"Por que nã...?-" Itsuki estava dizendo.

"Você está passando bem?" Kyon continou, não se importando com o fato de ter interrompido Itsuki.

"Sim"- ele respondeu- "Eu estou bem"

"Tem certeza?" - Kyon perguntou novamente.

"Sim. Por que você está tão espantado?"

"Porque,"- Kyon disse- "Porque nenhuma pessoa sã teria o mínimo desejo de sair com uma garota tão excêntrica! Muito menos qualquer um de nós, membros da brigada. Nós sabemos do que ela é capaz. Isso é algum tipo de piada?"

"É tão difícil de acreditar que eu gosto dela e quero chamá-la para sair?" Itsuki perguntou inocentemente.

"Quer a verdade? É. É sim." Mesmo em um universo daqueles...

"Ah, tudo bem. Você me pegou" - Itsuki disse, sorridente.- "Eu estava apenas testando uma teoria."

"Que teoria?" Kyon perguntou, erguendo uma sobrancelha.

"Ah, esqueça" Itsuki disse, sorrindo de novo.
" Bem, alguma coisa deve ser"

" Eu só queria ver se iria lhe deixar irritado"

"Irritado?"- Kyon perguntou. " Por que eu ficaria irritado? Eu não estava irritado."

"Sério? Porque você parecia um tanto irritado,"- Itsuki disse.

" Bem, eu não estava"- Respondeu Kyon com impaciência. Ele voltou a prestar atenção em sua revista.

"Então, está tudo bem se eu sair com ela?" Itsuki perguntou, olhando para Kyon.

" E por que não estaria?" Kyon perguntou, passando a página.

"Eu só estava pensando," Itsuki disse, voltando a olhar para janela.

Passaram-se alguns minutos silenciosos, até a entrada triunfal de Haruhi.
"Olá, pessoal! A chefe de brigada já chegou!" Ela olhou em volta e se desapontou ao descobrir que apenas Kyon e Itsuki estavam sentados à mesa.
"Onde está Mikuru? E Yuki?"

"Elas tiveram que ir para casa" Itsuki explicou. "Seus pais queriam conversar com elas sobre algumas coisas relacionadas ao colégio."

Humpf. É. A entidade de pensamentos integrados e os chefes da agência de viagens temporais, realmente deviam estar preocupados com a vida escolar de ambas.

"Ahhh!" Haruhi suspirou. "Logo agora que eu arrumei um uniforme de bibliotecária para que a Yuki também pudesse usar um cosplay-"

Bibliotecárias possuem um uniforme?

"-mas já que ela não está, não posso fazer nada." Ela sentou em uma cadeira, virou a tela do computador e começou a fazer alguma pesquisa.

"Haruhi," Kyon ouviu Itsuki dizer "Eu quero lhe perguntar uma coisa."

Kyon derrubou seu mangá. O quê? Ele não estava...?-

" O que é?" Haruhi perguntou.

"Eu estava pensando se você não gostaria de..."

O quê?! Ele está! Esse idiota! Kyon voltou-se para Haruhi e já tinha aberto a boca para dizer algo, quando-
"-me ajudar com aquela tarefa de matemática, depois da aula? Eu estou tendo dificuldade para resolver."

Haruhi focou-se na tela do computador. "Claro."- respondeu ela, desligando o estabilizador.

"Ótimo," Itsuki respondeu. Kyon suspirou tão profundamente, que pensou ter feito algum barulho.

Haruhi levantou-se pegou suas coisas e disse, "Estou indo. Vocês são muito entediantes."

E Mikuru e Yuki não eram?

"Até mais."

"Tchau," Itsuki disse, sorrindo, enquanto Haruhi fechava a porta. Ele voltou-se para Kyon com o mesmo sorriso. "Que susto, não?"

"Não sei do que você está falando," Kyon, agora, lutava para concentrar-se em sua revista.

"Eu vi seu rosto, quando eu estava falando com Haruhi. Você estava prestes a dizer algo."

"Você deve estar vendo coisas," Kyon disse. Maldito Itsuki.

"Bem, não se preocupe," Itsuki disse, pegando suas coisas e indo para a porta. " Eu não poderia chamá-la para sair. Ela recusaria. Afinal, ela tem você."

" Do que você está falando?"

"Tchau," Itsuki se despediu bem humorado, enquanto atravessava a porta.

Kyon fechou sua revista, pensativo. Ele estava tão confuso e nervoso que quis procurar Itsuki para perguntar-lhe algo, mas ele já havia ido embora. Sabendo disso, ele desistiu e também foi para casa. Por que se incomodar tanto?

Durante toda a sua caminhada para casa, ele não tirou o que Itsuki disse, da cabeça.


FIM



Essa foi apenas uma tradução, mas eu adoraria comentários!